sexta-feira, 16 de março de 2018

Renovação de Votos

Oi, sumida.

Sei que andei te traindo, saindo com outras. Arrumei amantes, me desculpe. Você deixou a desejar em alguns quesitos. Mas eu sempre soube que voltaria pra você. Então tratei de te deixar em paz, e tentar com outras, mesmo sabendo que nosso amor é mais forte.

Não sei o que aconteceu. Não sei se foi você, ou eu mesma que mudei o jeito de te olhar. Te achei mais bonita. Ia até perguntar se fez algo de diferente. Mas acredito que não. Talvez eu tenha mudado mesmo.
Sempre cobrei que você fosse melhor, e ainda quero que você seja/esteja melhor sempre. Aprendi a admirar e respeitar suas imperfeições. Percebi que a beleza também mora na imperfeição.

Voltei pra você, prometo não criticar tanto e ser mais generosa.
Entender e respeitar suas limitações.
Perceber que nenhuma outra será como você. Você é família, amigos, cerveja gelada no boteco da esquina, feijoada aos sábados, macarronada no domingo.
Você é arte e desconstrução. Você é meu amor e meu ódio em menos de 24 horas. Você é a indecisão da estação. Você é volátil e volúvel. Você é a concretização de um eu que só sou eu quando estou com você.

Casamos, SP.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2017 foi sabático

 Eu gosto de textos de final de ano. Gosto de relê-los.

Ano passado escrevi que estava plantando para colher neste ano de 2017.  Terminei 2016 sabendo o que eu NÃO QUERIA em 2017. Já era um começo...

Não queria casos urgentíssimos para tratar, não queria receber 100 e-mails /dia, não queria meu telefone tocando de 5 em 5 minutos, não queria 20 grupos de trabalho no Whatsapp, não queria ter grandes responsabilidades, não queria dormir pensando nos problemas do dia seguinte, não ter final de semana, e ser sempre refém do celular.  Deixei de acreditar que “Nossa, ela trabalha demais!” era elogio.

Passei a me questionar sobre a função do trabalho, e um monte de coisas. E foi assim que desenhei 2017 como sendo o ano em que eu não teria grandes dilemas, grandes preocupações, ou qualquer outra coisa que me desse dor de cabeça. Seria o meu ano. Meu, só meu e de mais ninguém.

Plantei um ano sabático em 2016 e colhi em 2017 começando pelo meu feriado favorito – carnaval.
Aquele trabalho maroto no Hostel para conhecer gente, treinar o inglês e garantir as histórias e os amigos que ganho pra vida.

E das histórias da vida de começo de ano, ganhei uma holandesa que morou um mês na minha casa, um finlandês que eu dava aula de português e um grupo de ingleses que a gente promete se encontrar pelo mundo, e às vezes dá certo.

Peguei minha mochila e vim morar em Dublin sem nunca nem ter passado perto desta cidade uma única vez na vida. A única coisa que eu sabia de Dublin era que o U2 nasceu aqui.
Lembro-me da profecia: “Estou indo para Dublin, e vou ver o show do U2 na casa deles!”. Só eu sei o quanto eu fiquei feliz em realizar. Pequenas realizações, pequenos sonhos, pequenas conquistas saboreadas com afeto. É disso que a vida é feita.

Convivi com muita gente jovem. E se eles soubessem o quanto me ensinaram, ficariam boquiabertos com o quanto a titia saiu renovada desta experiência.
O mestre Nelson dizia: “Jovens, envelheçam!”. Eu penso diferente: “Adulto, rejuvenesçam!”.
Bebam desta fonte sem preconceito. Não se achem donos da razão. Ouçam, não julguem. Aprendam e tenham humildade para compreender que somos gerações diferentes. E nada era tão melhor assim “no meu tempo”. O tempo deles também é bom, eu garanto com conhecimento de causa.

Me permiti trabalhar de tudo que se possa imaginar. Fui cuidadora de velhinhos, faxineira, trabalhei na lojinha de souvenir de um castelo, pizzaiola e fui dando meus pulos nesta vida.

Trabalhei com gente do mundo inteiro e tive a oportunidade de aprender tanta coisa com essas pessoas que parece que eu vivi uns 10 anos em 1.

Tive tempo de tédios homéricos. Tive momentos em que achei que tinha feito uma merda dantesca, tive dias ótimos, bons, ruins e péssimos...
Reclamei com fervor do clima merda da Irlanda. E vou reclamar até no meu último dia aqui porque sou dessas.

Passei meu aniversário sozinha depois de um date horroroso. Aliás, tive dates horrorosos que merecem um capítulo à parte. Me apaixonei, e me desapaixonei em questão de dias. 
Esqueci e superei amores passados, e voltei a ser uma folha branca novinha e sem rasuras ou remendos.  

Atropelei uma raposa de bike num frio de -4. Só esta frase já valeria o ano de 2017.

Fiz amigos pra vida. Reencontrei amigos da vida.

Fiz projetos, desfiz projetos, montei parcerias, desfiz parcerias. Quis ser rica vendendo Avon, depois achei melhor não. Quis concorrer à cargos políticos, mas a política não me permitiu entrar. Quis tanta coisa, e “desquis” no momento seguinte, fui tão eu que nem eu sabia mais como era ser eu (entende?).

 Tive tempo pra toda esta insanidade. Tive tempo pra loucura. Tive tempo para o ócio. Tive tempo até para escrever um livro ruim.

Que ano! Olhando assim de fora percebi que o senhor foi um GRANDE ano.

Encontrei o amor da minha vida. A vida em si.

O que eu desejo pra mim, pra você, e pra todo mundo? Muita vida em 2018! 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Bonitona?!?!

Acho que nós mulheres estamos preparadas para tudo nessa vida. Somos sobreviventes. E, agora, a palavra "chata" da moda - somos empoderadas. Mas se tem uma coisa que ninguém nos prepara é para o envelhecimento. Ninguém diz como vai ser, como se portar, como viver?
E não me venham com esse Globo Repórter de idosos fazendo yoga que isso tá fora da minha realidade.

Vivi xx anos para ouvir:

- Nossa, Vi. Mas você ainda está bonitona!

Cacete!!!!!!!! Eu ainda nem arrumei meu primeiro namorado na vida e já me transformei na pessoa que está bonitona? Só faltou o "Dá um caldo". Quando foi que eu pisquei os olhos e passei de jovem promissora para uma bonitona que dá um caldo?

Não sei quando foi que aconteceu isso. Só sei que não tombarei sem lutar.
Já que não posso rejuvenescer, está mais que na hora de mudarmos este padrão acima dos 25 já está velha. Homens não ficam velhos, ficam charmosos.
Novinhas, PAREM! POR FAVOR, PAREM de criar esta cultura do charme para homens e da tia velha e mal amada para as mulheres. Sejamos mais parceiras.

Estava lendo o mestre esses dias (Nelson Rodrigues), e num dos textos ele fala de uma mulher casada e ainda viçosa (super moderno) com uma filha. Lá pelas tantas descubro que a mulher casada que ainda dava para o gasto tinha 40 anos! 40 anos, companheiras de luta!
Ok, quando o tio Nelson escrevia a gente costumava morrer mais cedo mesmo e aceitar a vida. Se entregar e dizer que não podíamos fazer isso ou aquilo porque envelhecemos.
"Estou velha demais pra isso!". Não existe velha demais, minha gente! Existe a sua vontade ou não de fazer as coisas. Corra, Lola, corra!

Minisaia é coisa de menininha, eu uso se eu quiser e se eu me sentir bem. Não gostou? Fecha os olhos e não me irrita!
Tem comentários que eu nem respondo pra não passar raiva: "Nossa, mas ela não se veste adequado à idade dela!". E tem isso? É que eu não gosto mais da Barbie, mas se eu tivesse com vontade de usar uma mochilinha da Barbie eu iria usar mesmo as pessoas me chamando de retardada, seus preconceituosos!

A gente se veste como quiser, faz o que quiser, e vive como quiser. Não, não estamos ficando melhores como vinho. Dá umas dores desconhecidas, a preguiça é maior que a vontade de sair, gritaria dá dor de cabeça, óculos ajuda a ler as coisas, e um monte de coisa. Não sou estúpida pra achar que nada mudou. Mas eu vivo e me adapto às mudanças porque o espírito, ah...esse sempre será jovem.

PS.: Eu não sou bonitona. Sou bonita pra caralho. Legal, inteligente, bem humorada e a caralha toda!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Humanos quando ganharam um mundo

Um dia Deus resolveu testar sua criação. Deu-nos "inteligência" para criarmos o nosso mundo. Assim como ele criou o mundo que vivemos, nos permitiu criar o nosso. E criamos. Criamos a internet.

E neste mundo criado por nós, podemos ser quem quisermos - inclusive nós mesmos. Nós em essência, nosso verdadeiro "eu". Neste mundo não há limites, é um mundo sem regras.
Demos voz à tudo e à todos, mesmo que não saibam muito o quê dizer, dizem. Porque se há voz, ela precisa ser usada, ela precisa se fazer ouvir. E, neste mundo com tantas vozes, ainda nos surpreendemos com o que se é dito.

Alguém falou muito alto. Alguém fez barulho. Alguém falou alto com uma poderosa hastag. Com uma hastag podemos mudar um pensamento, uma atitude um jeito de viver. Hastag mudam o mundo.
Mas esta hastag me representa? Representa o que eu realmente penso, ou representa apenas o que eu gostaria que o outro pensasse que eu penso? Confuso, não é?

Morreram mais de 300 pessoas na Somalia vítimas de um atentado terrorista. A internet clamou por interações sobre o tema nas mídias convencionais. Justo, justíssimo, e realmente foi injusta e cruel a forma que o tema foi tratado.
Mas não acho justo fazer o comparativo com "Se fossem brancos de olhos azuis..". Não estaria eu sendo preconceituosa também? Estereotipando a cor da pele e seu grau de importância. Inflamando ainda mais preconceitos? Eu realmente não entendi as postagens compartilhadas, e não quis gerar polêmica. Afinal, gente pra defender um ponto de vista de forma incisiva tem bastante. Já tem bastante filósofo, sociólogo, antropólogo, historiador, jornalista e etc na internet. Tive preguiça de exercer profissões sem nunca ter estudado para isso.  A preguiça passou no final do dia. Como isso aconteceu?

Trazendo para minha realidade. Um brasileiro está sendo acusado de assassinato aqui na Irlanda. Lembrando que acusado não é culpado. Ele está respondendo em liberdade. Ele foi assaltado e está constantemente sendo vítima de xenofobia.

Encontrei uma página irlandesa que quer todos as pessoas da América do Sul fora do País imediatamente
Li a página irlandesa, pensei, li, pensei, e passei batido. Não teci nenhum comentário. Denunciei a página, e a vida seguiu pra mim. Mas não passou para os demais brasileiros que começaram a ofender uma Nação inteira, tomando aquele pensamento como verdade de uma Nação. Daí nascem os preconceitos, os ódios incuráveis e tudo que já conhecemos no mundo.

Não acho que devamos deixar as coisas passarem, precisamos fazer nossa parte. Mas xingar o amiguinho, puxar o cabelo, escrever o que eu bem entendo sobre o amiguinho só para machucar, não é das coisas mais maduras, né?

Sinto pela Somália, sinto por todos que sofrem xenofobia, ou qualquer tipo de preconceito, sinto demais pelas famílias que têm seus entes assassinados, sinto profundamente pelo mundo que vivemos. Mas se queremos fazer algo bom, revidar com mais agressividade, ou com preconceito, não ajuda muito.
Acho que Deus nos deu inteligência para criarmos um mundo nosso para saber como reagiríamos se tivéssemos poder para gerir o mundo real de maneira autônoma.
Se nem num ambiente como a internet não conseguimos controlar nossos impulsos, imagine se tivéssemos capacidade/poder de dominar/gerir a natureza, por exemplo. Não temos maturidade.

Falhamos miseravelmente nesta missão evolutiva. Desculpa aí, Deus.










quinta-feira, 10 de agosto de 2017

I really dislike

I really dislike when a Brazilian start to speak bad things about Brazil.  I just really dislike when people hate their own country so much and only complain about politics, say that they wish to trade places and be in Europe, USA or another country...  There are plenty of Brazilians who love their country too and I´m...

Ops, estou escrevendo em inglês? Ah, sorry! São esses 2 meses morando fora do Brasil. Eu esqueci o português. Taí outra coisa bizarra e que eu não gosto! Brasileiros que enfiam um monte de expressões em inglês no vocabulário e fingem demência com própria língua.

Para quem não pescou o começo, a primeira reclamação é de quem reclama do Brasil para todo estrangeiro o tempo todo (gastei no pleonasmo da reclamação do reclamador porque eu estou reclamando). Já ouvi centanas de brasileiros responderem sobre "What about Brazil?" com uma lista gigante de problemas - sempre falam de corrupção e pobreza. Gente, isso está no jornal! Acreditem, isso eles já sabem, e muito melhor que muitos brasileiros, que só reclamam mas não conseguem lembrar sequer em quem votaram na eleição passada.

Alguém já comeu um pato no tucupi? Já deu aquela espreguiçada em uma rede na praia? E aquele sol gostoso no rosto em pleno inverno? E a quantidade infinita de frutas? E as músicas regionais? Literatura de cordel, por exemplo. Quer coisa mais maravilhosa? E a nossa dança? Ah, poderia fazer uma lista enorme. Não sejamos óbvios!
Conheçamos nosso próprio País. Muita gente se orgulha de ter 50 carimbos de viagens pelo mundo, mas não conhece seu próprio País. Aliás, farei esta lição de casa com urgência.

Esses dias fiz uma cagada.
Cansada de ter que explicar que a capital do Brasil não é a Argentina, que eu não sei sambar e que minha bunda é pequena, mesmo sendo brasileira, mudei minha nacionalidade.

- Where are you from?
- I´m from Argentina.

Silêncio ensurdecedor. Quase visualizei o mapa mundi aberto e o cara procurando onde ficava.
Ele não tinha nada para falar sobre o País. Não teve uma piada sequer, uma dancinha e não me senti um macaco de circo.

...

Para que entendam, voltemos no tempo...

Belo dia passeava eu pela região do Temple Bar quando um mocinho de procedência inglesa veio ser simpático.
Ao responder que eu era do Brasil, como se fosse num circo, gritou aos amigos "Adivinha de onde ela é? Adivinha? Brasil!!!! Dança aí pra gente, vai. Samba!"
Isso é tão contrangedor quanto eu pedir para um irlandês dançar river dance. Imagine eu chamando todos os meus amigos para ver o irlandês dançar river, ou o argentina dançar tango e etc.

....

Sem piadas, sem dancinha, sem aquela olhada na bunda para conferir o selo Brasil de qualidade na anca, o cara não tinha o que falar. Ou seja, sem referência alguma sobre a Argentina.

Neste dia eu tive vergonha de dizer que era brasileira, e depois me senti mal por não dizer e encarar os próximos minutos numa luta visceral sobre o que é o Brasil. A culpa é nossa!
A culpa é da nossa pagação de pau absurda para cultura do outro, sendo que a nossa é riquíssima.
É o que vendemos, é o que falamos, é como nos portamos, é o que exportamos. Exportamos bunda, sexo, mulheres gostosas, belas praias, samba, caipirinha, corrupção, políticos ruins e uma vida muito pobre. Mas será que o Brasil é só isso?

Então mudei. Agora virei embaixadora da cultura brasileira. E onde houver um brasileiro falando mal, ou qualquer um, defenderei com honra e dignidade.
Nunca fiz, nem nunca farei parte do time que fala mal do próprio País.Tive um momento de cansaço da luta, mas já retomei.

Tenho algumas premissas:

  • Não, não escrevo legendas em inglês. Até mesmo porquê 90% dos meus amigos nas redes sociais são brasileiros.
  • Não faço parte do time que quer morar em qualquer canto do mundo só pra sair do Brasil.
  • Não acho a cultura de nenhum País superior a minha cultura. Valorizo, respeito e amo a cultura brasileira.
  • Não comparo estilo de vida. Todos os lugares tem seus pontos positivos e negativos. E realmente não gosto quando as pessoas começam frases com "Se fosse no Brasil", e aí vem algo negativo na sequência. Tente ver coisas positivas no nosso País, eu poderia fazer uma lista gigante.
  • Não gosto das frases que começam com um brasileiro dizendo "Brasileiro tem mania de", aí vem uma sequência de atrocidades sendo que ele também é brasileiro.
  • Não falar mal do País do amiguinho respeitando as diferenças. A melhor defesa não é o ataque, e sim a compreensão, respeito e muita conversa. Logo, parei de falar mal da fazendinha como forma de ataque aos que falam mal do Brasil. Eles só reproduzem o que a gente mesmo fala. Muitos nunca estiveram no Brasil.  
Resumo: Pra mim o Brasil é o filho feio que a mãe acha lindo e não deixa de forma alguma que o outro aponte os defeitos.







sábado, 29 de julho de 2017

Jimmy’s Hall


Ontem, no Abbey Theatre, vi um espetáculo incrível do teatro irlandês. O Abbey teve sua inauguração em 1904 e foi um dos primeiros teatros subsidiados pelo Estado do mundo e recebe subsídio anual do Estado Livre irlandês. E nada mais poético do que ver neste teatro a história de Jimmy (de graça é mais maravilhoso ainda)

Jimmy Gralton mudou-se para Nova Yorque após sofrer perseguição em Letrim por suas ideias comunistas. Após 10 anos, volta à sua pacata cidade natal, e por insistência dos seus amigos reabre o salão onde a população tinha debates, lições culturais e aulas de dança. A história real do único cidadão irlandês a ser deportado, trás de uma forma brilhante a história da cultura irlandesa e a importância de sua música e dança.

A fila dava a volta no quarteirão, da Abbey até a Gardiner, alguns chegaram bem cedo com suas cadeirinhas, jornais, óculos escuros e todos os apetrechos de quem quer o melhor lugar. A imprensa estava lá. Entrevistava à todos buscando impressões e expectativas. E eu ali torcendo para que ninguém falasse comigo.  Fazia tempos que namorava peças no  Smock Alley Theatre ( teatro de 1662!!!! – preciso muito ver uma peça lá), até tinha lido sobre as peças que estavam em cartaz, agora no Abbey eu sequer tinha passado na porta. Não sabia absolutamente nada sobre a peça em cartaz. O pré-requisito foi “teatro, de graça, gosto, vou!”.

E lá fiquei eu na fila monstro esperando e torcendo para ter ingresso na minha vez. O teatro tem capacidade para 450 pessoas. Dei uma medida na fila, e esperei. Fui uma das últimas a pegar ingresso.Ao entrar os atores já estão no palco tocando músicas tradicionais irlandesas. O público participa com palmas, é uma festa. O clima de salão já é instituído, musical e descontraído. Esta é a passagem para a entrada no salão do Jimmy.
Músicos/atores/dançarinos, o elenco inteiro é primoroso. Que fôlego! Lembrando que a dança irlandesa requer força e passos bem precisos, o atores fazem isso por 2 horas! Experiência pra lá de interessante. Eu falo inglês, eu entendo, mas ir ao teatro, com um tema tão peculiar, com discursos políticos engajados, exigiu um pouco mais dos meus neurônios no começo. Aí eu lembrei que era teatro, não filme, e deixei de me preocupar tanto com a linguagem falada, e passei a olhar o corporal e foi quando eu só reafirmei o quanto o trabalho do ator é maravilhoso.

As cenas são todas muito bem marcadas, coreografadas no último grau, e todas as expressões corporais da dança passam uma mensagem. Há uma cena divina no meio do espetáculo em que Jimmy reencontra seu velho amor e fazem uma dança do reencontro daqueles corpos depois de 10 anos que é de arrepiar os cabelos. Não há beijo, não há falar, mas os olhares, os movimentos dos corpos...obra de arte, minha gente!
O cenário nem se fala. Muito bem pensado. Utiliza todo o espaço, as cenas acontecem até na entrada da cochia. A iluminação faz com que você sinta todos os sentimentos que querem demonstrar, a passagem do tempo dia/noite passa por uma janela do fundo, e você tem a exata sensação do momento em que estão vivendo. Efeitos especiais? Tem, sim senhor! Uma explosão maravilhosamente coreografada com efeitos de luz, fogo e dança dos atores em câmera lenta simulando o exato momento em que atacam o salão.
Ok, ficaria horas escrevendo sobre o espetáculo, sobre as performances e etc.Sai do teatro com aquela sensação boa de “putaquepariu”, tomei uma paint e voltei pra casa pensando. O teatro fez seu papel.
Está no mundo? Vá ao teatro. Não importa se na Europa, Ásia, Oceania, América, vá ao teatro. Sempre um ótimo exercício de apreciação do ser humano!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Eureca!

Ontem eu tive um dia pra lá de interessante!

Pode parar de ler por aqui, pois será vibe "diário adolescente". Já aviso porque tempo hoje é um troço disputado, e aí você vai dizer "Perdi tempo lendo esta merda".

Esses dias descia eu o vale, música triste no talo, vento gelado cortando a pele, TPM gritando. Não deu outra, dei aquela chorada de videoclipe. Sabe aquela que desce só uma lágrima poética? Então, bem isso aí.

Estou em crise existencial faz tempo. Aliás, eu nasci em crise existencial e nunca mais sai dela.
Eu sou complexa, dúbia e dramática. É o que tem pra hoje, minha gente. Aceitem ou deixem.

E aquele sentimento da "árvore, livro e filhos" gritando. E aí veio a pergunta "Que merda estou fazendo da minha vida?". Cada dia que passa eu não estou ficando mais nova.

De onde vim? Pra onde vou? O que eu gosto?
Clássico dos adolescentes! Adolescentes, isso nunca passa, só pra constar. A gente não descobre o mapa da vida ao ficarmos mais velhos. Muito pelo contrário, a gente vive uma porrada de coisa, aprende um monte, mas sempre tem algo que incomoda, isso é vida.

Bom, voltando ao dia depois desta explanação sobre o sentido da vida...

Meu inglês não é a oitava maravilha do universo. Entendo muito bem, aliás entendo pra caralho, escrevo nível semi-analfabeto e falo com entonação índio apache com nuances de Joel Santana (mito), mas sou mega esforçada, devo admitir.
Ontem tive uma apresentação em inglês. Ganhei a atenção pelo carisma e didática. "Bela performance, você deveria ser professora!".

WAIT A MINUTE...

Eu já fui professora! E modéstia à parte, eu era das boas. As mães brigavam na porta da escola para que os filhos ficassem na minha sala.
Pagam mal, você trabalha além das horas em que está no trabalho, precisa ler, estudar pra caramba, mas foi um dos trabalhos mais recompensadores que já fiz na vida.
Não tem absolutamente nada a ver com recompensa financeira. Tem a ver com gostar do que faz. E admito, eu gostava.

No final do dia fui para o voluntariado ISPCC Ireland (Google, crianças). Baita trabalho maravilhoso com os pequenos seres humanos. Deu vontade de começar na mesma hora. Sabe quando te falam de uma atividade e você fica mega contente e quer começar naquele momento? Foi assim.


CRIANÇAS + EDUCAÇÃO+ ONG+ ARTE = Viviane Feliz.

Agora preciso encontrar uma forma de colocar isso no liquidificador e viver disso.
Aceito opiniões, sugestões, críticas e etc.

Ajuda a tia, aê!



domingo, 23 de julho de 2017

O sentido de sentir saudade

Saudade é um lance estranho. Comentei esses dias com um amigo italiano sobre o significado da palavra. Ele fala “homesick” e de verdade não acho que esta palavra adeque-se à saudade. Saudade é diferente, saudade faz cócegas no estômago, tem cheiro, cor, sabor, trás uma nostalgia, uma vontade de estar...

Ele reclamava da Irlanda e dizia-se com saudades da Itália, mas não podia voltar por conta do trabalho. Então eu lhe disse: “A gente só tem saudade daquilo que se foi. E nem sempre aquilo era bom. Um dia, quando você estiver na Itália, vai lembrar-se da gente tomando café e reclamando da Irlanda e vai sentir saudade daqui e de mim, e eu vou sentir saudade de você. Vamos lembrar desses dias em conversas pela internet e vamos dizer – que saudade daquele tempo!”. Ele riu e entendeu exatamente o que eu queria dizer sobre saudade.
Tenho saudade de algumas coisas. Saudades dos churrascos aos domingos em que jogava conversa fora em tomava cerveja com minhas amigas.  Lembro de um dia ter reclamado “Ai, gente! Todo domingo a mesma coisa. Que saco. Vamos fazer alguma coisa diferente!”, e cá estou eu com saudade disso.

A minha casa tem um cheiro, não sei explicar. É um cheiro de minha casa. O passarinho que canta pela manhã na minha janela é o meu passarinho favorito. Ele fazia isso toda manhã. No final do dia abria a janela da cozinha e ficava olhando o sol se pôr atrás de uma árvore bem grande que tem perto de casa.  A minha cozinha tem um buraco no chão milenar, um azulejo que eu sempre digo que vou consertar e tapo com um tapetinho de cozinha, até dele ando sentindo falta. A minha casa é pequena, desajeitada, repleta de coisas que eu prometo arrumar em algum momento, e nunca acontece. Mas isso serve para eu dizer que tenho um monte de coisas para fazer. Meu sofá de bolinhas marrom e meu cobertor vermelho faziam uma parceria perfeita acompanhada de uma boa sessão de Netflix. É o meu canto. Nada especial, mas saudade pra mim é isso. São coisas simples do dia a dia que marcam quem você é.

Tomo meu chá, olho o dia carregado de nuvens cinza com prenúncio de chuva. Reviro os olhos em tédio e repito a frase “Vai chover”. Depois deste texto, olho de novo, olho com sentido de gravar na mente este momento porque quando ele passar, vou sentir saudades.

A vida é uma eterna saudade. Afinal, não podemos ter tudo.